Terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Comunidades de Minorias Étnicas, o Caso de Barqueiros


Não querendo eu contribuir para a destabilização, agora que a poeira assentou, sobre a questão dos contentores da escola de Barqueiros, pretendo sim, deixar uma breve reflexão, contra-corrente, sobre o que se escreveu e opinou no caso de Barqueiros e da forma como são tratadas as comunidades de minorias étnicas em Portugal.


Relembro que no passado mês de Dezembro de 2008, numa atitude paternalista natalícia, alguns gladiadores da arena que é a Assembleia de República, os deputados, vieram in situ verificar as más condições em que vivia a comunidade da minoria étnica cigana instalada em Barqueiros.

Na mesma linha de pensamento, à posteriori, alguns locais mostraram a sua indignação face à realidade de um número de jovens estudantes usufruir de um contentor na escola de Barqueiros, para poderem assistir a aulas e terem acesso à sua educação, num país democrático.

Primeiro, sempre admirei uma pequena parte dos deputados que visitam os vários círculos eleitorais para se inteirarem da realidade do país. Não ha melhor forma de o fazer, é essa a sua obrigação. Mas nada fizeram e nada foi feito até então.

Segundo, sobre a indignação dos contentores levantada pelos locais, refiro que a única mente discriminatória e xenófoba é aquela que vê o problema por esse prisma, o da crítica face à precariedade da solução. Ainda não vi ninguém a sair em defesa de muitos brancos caucasianos nas mesmas condições!

É certo que ninguem coloca as pessoas em contentores de forma premeditada, mas sim porque não existem condições físicas de outra natureza para tal. Acresce ainda que os referidos móveis, apresentavam boas condições para a prática do ensino, até melhor que alguns edifícios escolares definitivos.

Aliás, foi meritório todo o projecto de Barqueiros e tem todo o mérito a DREN sobre o mesmo. Um projecto arriscado, bem estruturado, vai de encontro ao problema e tem consequência. Poderia ainda acrescentar que o seu enquadramento numa lógica de integração forçada, é a melhor forma conceptual para o projecto social desta espécime.

Seria mais fácil à directora da DREN ir na véspera de Natal, como os deputados, ao local indigno onde essas crianças moram, bater-lhes nas costas, levar uns rebuçados e deixar tudo na mesma. Os locais certamente não sairiam à praça porque não atingiam nada de mal na acção.

É sobre este exemplo que gostaria de explanar um simples raciocinio: é legítimo num país onde existe uma enorme exigência, desde a económica à social, do tipo «ASAE», tratar-se as comunidades ciganas mais rurais desta forma? Será a atitude subsidiária do Estado Social para os membros de minoria étnicas que vivem sem tecto, a solução para a sua integração? O que faria a ASAE perante um acampamento de ciganos?

Sobre este assuto, e para uma melhor consequência dos gladiadores deputados, gostaria de ver os mesmos, a curto prazo, numa qualquer comunidade local, com uma proposta para a criação de uma autoridade de recuperação social (ARS). Seria uma entidade, que teria a responsabilidade de criar um modelo conceptual e plano de acção, baseado num enquadramento de uma política de integração, que solucione o problema de habitação, educação e condições mínimas de vida de muitas pequenas comunidades dispersas pelo país.

Em 2003, fui acusado de racismo e xenofobia quando, enquanto presidente do núcleo da JSD Fornelos, quando saí à rua contra a vinda de uma comunidade cigana de Oleiros para Fornelos. Não posso me resignar da forma como muitos analisam os dois substantivos (os locais) e compreendo assim, e agora, a forma política que muitos olham para o assunto, simplesmente ignorar (os gladiadores). Esperemos que uma nova geração de deputados coloque o tema no cimo da agenda da Arena.

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